Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
TALVEZ
Novamente, a música ditou que a fórma inicial se alterasse, e o resultado final é este.
Aqui parado vou
Recordar
Comparar
Mas eu quero esquecer
Eu não quero ceder
Tudo o que vejo é
Ilusão
Frustração
De escolhas difusas
Em tempos confusos
TALVEZ
UM DIA
FAÇA SENTIDO
TALVEZ
O ENCANTO
TENHA FUGIDO
Quando os valores obrigam
A esforçar
A trabalhar
Poucos querem saber
Fingem não perceber
A indiferença é
Um sinal
Trivial
De que não há ninguém
Que se dê por alguém
TALVEZ
UM DIA
FAÇA SENTIDO
TALVEZ
O ENCANTO
ESTEJA ESCONDIDO
Por estes dias sei
Que afinal
É tudo igual
Outra porta fechou
O meu tempo esgotou
TALVEZ
UM DIA
QUASE ESQUECIDO
TALVEZ
O ENCANTO
FIQUE COMIGO
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
PARA A FRENTE - VERSÃO FINAL
Ah, é bom estar de volta ;-)
Paz e saúde para todos.
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Num destes dias
Inquietos
Onde acabo por te encontrar
Fico refém
Da tua imagem
Bomba feita para arrasar
Vou evadir-me
Isolar-me
Na memória que tenho de ti
Esse recanto
Violento
Que eu insisto em perseguir
NO MOMENTO
QUE NÃO ACONTECEU
NO SEGREDO
QUE O TEMPO ESCONDEU
NÃO VOU FICAR
AQUI SOZINHO
A CONTEMPLAR
VOU ATIRAR-ME
PARA A FRENTE
E por enquanto
Ficarás
Sem saber o que pensar
Agora vês-me
Altamente
Sem saber no que vai dar
Só amanhã
Eu te direi
O que queres ouvir
Mas até lá
Vais aprender
Como eu a resistir
NO MOMENTO
QUE NÃO ACONTECEU
NO SEGREDO
QUE O TEMPO ESCONDEU
NÃO VOU FICAR
AQUI SOZINHO
A CONTEMPLAR
VOU ATIRAR-ME
PARA A FRENTE
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
TENHO DE ADMITIR
E lanço-me ao caminho
Por qualquer direcção
Contando que vá sozinho
O meu até breve
Não sei quanto durará
Vou encontrar-vos bem
Quando aparecer por cá
(e um dia assim será)
Não é fácil prosseguir
Tenho de admitir
Encarar a perspectiva
Dessa outra alternativa
Num destino afastado
Sem poder resistir
Por muito que me custe
Tenho de admitir
À procura da luz
Andamos todos nós
A cantar um refrão
Que nos fere a voz
A enganar a má sorte
Que temos por companheira
Vai ser só uma fase
Enquanto assenta a poeira
(e esse dia chegará)
Não é fácil prosseguir
Tenho de admitir
Encarar a perspectiva
Dessa outra alternativa
Num destino afastado
Sem poder resistir
Por muito que me custe
Tenho de admitir
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Domingo, 4 de Janeiro de 2009
FRUTO PROIBIDO
Experimentar o prazer
Deixar-se levar
E nada temer
Ficar viciado
Querer esconder
Fugir ao passado
A alma vender
Estar com ela mais uma vez
Entregar-se mais uma vez
Nos seus braços faz sentido
O novo fruto proibido
Agora satisfeito
O destino adiado
O erro está feito
Quem será o culpado?
Ao ser abraçado
É correspondido
Sentir-se abalado
Pelo desconhecido
Estar com ele mais uma vez
Entregar-se mais uma vez
Nos seus braços faz sentido
O novo fruto proibido
Um momento de rendição
Que complete a espiral
Que termine a submissão
Uma vida normal
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
SÓ NÓS AGORA
Recordar
Comparar
Mas eu quero esquecer
Eu não quero ceder
Tudo o que vejo é
Ilusão
Frustração
De escolhas difusas
Em tempos confusos
Por estes dias sei
Que afinal
É tudo igual
Outra porta fechou
O meu tempo esgotou
A indiferença é
Um sinal
Trivial
De que não há ninguém
Que se dê por alguém
Quando os valores obrigam
A esforçar
A trabalhar
Já ninguém quer saber
Pois eu quero esquecer
Não vás embora
Que eu preciso de ti
Só nós agora
No mundo que eu construí
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
SILHUETA
De contornos suaves
Habita num frenesim
De momentos fugazes
Clepsidra inconstante
De regressos vorazes
Onde me perco e encontro
Em carícias mordazes
Paleta de tons esparsos
Que a natureza verteu
Num devir extemporâneo
Que agora cedeu
Sobressaem os contornos
Do corpo que é teu
Eternizado que está
Na candura do breu
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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
O FESTIM DA SOLIDÃO
Nas esparsas memórias eu me redimo
O crepúsculo de lâminas que me invade a pele
Fere-me os dias de uma existência exangue
Na verdade, é tudo o que tenho…
Encontro consolo, ainda que fugaz
No tumulto da noite que se avizinha
Toda a matéria é cinzenta
Eu porém visto o meu melhor traje diáfano
Aquele dos dias festivos
Religiosamente arrumado
(que bem que ele me assenta)
Porque nesta gala de ternuras
Sou anfitrião
Sou o único convidado
Presido ao banquete
Uso da diplomacia o melhor que sei
Sou cortês e suscito admiração
Às vezes apercebo-me do ferrão da inveja
Outras vezes a deferência é tanta que chega a incomodar-me
Todos nos divertimos
Como podem caber tantas vidas num só corpo?
Como podem dois corpos partilhar a mesma alma?
A tua presença é improvável…
A noite terminou
Regresso à monotonia
À inquietude de te querer
Ao desespero de te não ver
O festim foi um pretexto
Uma alienação auto-infligida
Uma dor que mitiguei
Um contratempo que resolvi
Para mostrar ao mundo inteiro
O como passo bem sem ti
© Hélder - Todos os direitos reservados -
© Letras do Imenso Desconhecido
Domingo, 2 de Novembro de 2008
O CHAPÉU
De nada sinto a falta
Eu estou bem
E tu também
Vou andar sem parar
Nas ruas a procurar
Um chapéu
O meu troféu
Porque eu estou feliz
O espelho assim mo diz
E com o meu chapéu
Fico escondido do céu
Eu não serei o seu réu
Agora que o encontrei
Jamais o tirarei
É o meu resguardo
Sou um felizardo!
Quando me for deitar
Não sairá do lugar
De manhã
Ainda cá estará
O céu tem as suas regras
Em forma de nuvens negras
Que gostam de estragar
Dias a descontar
À vida por gozar
… Mas eu não vou deixar…
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
PARA A FRENTE
Vou evadir-me
Isolar-me
Na memória que tenho de ti
Esse recanto
Violento
Que me ajuda a resistir
No momento
Que não aconteceu
No segredo
Que o tempo escondeu
Não vou ficar
Aqui sozinho
A contemplar
Vou atirar-me para a frente
Só amanhã
Eu te direi
O que queres ouvir
Mas até lá
Vais aprender
Como eu a resistir
No momento
Que não aconteceu
No segredo
Que o tempo escondeu
Não vou ficar
Aqui sozinho
A contemplar
Vou atirar-me para a frente
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Interlúdio
A dada altura vi-me obrigado a aumentar a cadência das postagens porque surgiu a necessidade de apressar este momento final. Na verdade, os tempos que se avizinham obrigam-me a outras prioridades…
Mas isto não quer dizer que a poesia se tenha arredado da minha vida, nem deste blogue. A poesia faz parte da minha essência enquanto ser humano e criador. Acontece é que, daqui em diante, novos posts só aparecerão de acordo com a inspiração e a disponibilidade, provavelmente até sem fotos ou outras ilustrações. Será, nas mais das vezes, apenas e só poesia. Afinal, o único fundamento deste espaço.
A todos quantos têm visitado este blogue, o meu muito obrigado!
Àqueles que chegaram agora pela primeira vez, convido-vos a fazer scroll-down e a passarem os olhos pelo material publicado. Como o blogue não tem arquivos, facilmente percorrem o trilho do primeiro ao último poema. Sempre são alguns ... por isso o melhor é não lerem tudo de seguida. Repartam a leitura por algumas visitas, que assim é mais fácil.
E para que fique desde já demonstrado que vão continuar a aparecer poemas, deixo-vos agora com um, muito recente, escrito em conjunto com os meus queridos amigos Pedro e Nuno (os manos Caetano – companheiros musicais de sempre!) para uma música nova que acabamos inclusivamente por registar num ensaio. Não há foto, mas há a gravação, apesar das fífias...foi só um ensaio...sorry :-)
Fiquem bem, e a gente vai-se vendo por cá.
Hélder
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NO MAR
Como uma pena ao cair no chão
O tempo que estou sem ti
A verdade que teima em ficar
E me deixa preso aqui
A espera que não termina
A sombra que me preenche
A ausência de todas as horas
A solidão que me vence
A vida é como o mar
Algumas ondas deixamos passar
A corrente que nos leva
O medo que nos traz
Faz voltar
Para sempre
À deriva no mar
Ao longe o céu no horizonte
Dá-nos sinal para voltar
Ao cais donde partimos
Antes de navegar
O retorno infinito
O sol que nos pertence
A esperança que me acompanha
O teu olhar que me vence
LOST NATURE (NEVER FOUND…UNTIL NOW)
You must above all things
Just find your own path
Your essence
On the celestial, ethereal
Cosmic, atomic foundations
Of your nature
Things don’t always seem
That will change for better
Sometimes it seems
The hole is too much deep
Can’t rise to the top
You’re stuck on the spot
So nevermind the rules
Society has never reached any joy
It’s all up to
Your mind, your body
Your heart, your soul
Set them free to flow
Once you find it
Don’t loose it
Once you get it
Just keep it
Breathe for it
Make it last
Even after the blast
Share the knowledge
Get together
Things you can’t understand
Sooner will be clear
For your eyes
To see them near
The secret it is spread now
No one can keep it
The truth, the real truth
The one that will makes you alive
The one above the laws
Has now found you
Don’t loose the time
Searching on others thoughts
Everything you need
All you must read
Was wrote one day
Apart from the way
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Domingo, 12 de Outubro de 2008
WILD CHILD
You know my battle
My battle just began
I have to kill my fears
Without a gun
I’m sick of stupid laws
That makes me feel like a toy
In the hands of shady politicians
Sorry, but I’m just a boy
And if I close my eyes
I see red skies of pain
You’re weeping blood tears
Cause your life makes no sense
Let me have a peace of Freedom
Let me feel your candid Love
And you who know my words
Can you help me?
Bring me the sunrise, please
Keep close to me
I’m a marginal
I am very wild
But when I’m dreaming
I’m just a child
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Sábado, 11 de Outubro de 2008
GARGALHADA

Gargalhada estranha
Ainda agora a ouvi
Estranho sou eu
A rir-me de ti
Quem me garante a mim
Que da próxima vez
Quando estivermos juntos
Não nos rimos os três
Por agora a risada
Já vai longe de mais
O melhor é pararmos
Ou não nos rimos jamais
Para aligeirar o momento
Vou contar uma piada
Vai em tom de lição
E também serve de entrada
No dia em que gozei
Com o que estavas a fazer
Nem tão pouco pensei
No que me estava para acontecer
É que o melhor é calar
Quando não se é dono da sorte
Talvez sejamos nós
O próximo de bobo da corte
Apesar de nunca o fazeres
Por maldade, com má intenção
Vá lá não cuspas para o ar
Que o cuspo desvia-se chão
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
NOVO DIA
A tempestade já passou
Podes dormir a meu lado
O Sol já despontou
Agora estás abrigado
Qual será o motivo
Dessa angústia desmedida?
És um ser desencontrado
Perdeste o sentido à vida
Sei que te sentes confuso
E andas meio perdido
Deixa-te estar repousado
Livre de qualquer perigo
Olha bem lá para fora
Há tanto para conhecer
Não te deixes agarrar
És livre para viver
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
RENOVAÇÃO
O corpo já não aguenta
Atingiu o limite
O ponto de saturação
Está exausto
A ansiedade abandona todas as células
Num caminho de ascensão
Eis que me ergo do chão
Renovo-me por dentro
Elevo o meu espírito
Solto os atilhos que me prendem a esta escravidão
(de ser quem não desejo ser)
Contrariando a minha natureza
O futuro será pleno
A Liberdade, a Paz
Estão à minha espera
Porque só o equilíbrio
Faz de nós Seres completos
E é meu dever encontrá-lo
Para não viver pela metade
A Vida que se quer inteira
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008
AUSÊNCIA
Uma candeia acesa
Que aos poucos se apaga
Uma luz tão fraca
Uma memória vaga
Uma porta fechada
A sensação do fim
A janela aberta
Por sobre o jardim
E os teus olhos de súplica
Parece que imploram
Já não riem
Também já não choram
E o teu rosto frio
Arrasta-nos a todos para o vazio… para o vazio…
Para o prematuro vazio
É duro de aceitar
Sim, é duro continuar
A vontade de desistir
Insiste em arrasar
Não consigo desligar-me
Sim, não me vou desligar
Vou antes ser regeneração
E deixar a dor passar
A agonia terminou
Eu procuro redenção
Uma nota tranquila
Para acalmar este refrão
Mas é a música dos outros
Que acalma meu coração
Até tudo serenar
E perceber que há em mim
Um jeito igual ao teu
Um tal jeito assim
Que às vezes faz pensar
Se não andarás por aí a rondar…para sempre a rondar…
Tão perto de mim
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
DESÍGNIOS
Há algo que me transcende
Aos poucos o segredo vai sendo desvendado
Numa revelação premente
Que confere uma certa lógica ao passado
O que dantes parecia azar,
Inércia, injustiça ou simplesmente punição
Das linhas tortas se endireita
Trilhando os misteriosos caminhos da razão
Revejo-me com outros olhos
Agora que entendo o que dantes julgava saber
De alguns prazeres fui desviado
E só o fui – contrariado – para me proteger
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
FIM DA NOITE
Terra queimada no frio
Do teu amargo sabor
Mar a mar, nuvem pequena
Com água turva de dor
Passos incertos marcando
A frágil vida amena
Há negro que de vez em quando
Põe actores fora de cena
O Sol já nasceu aqui
O manto negro enfim tombou
Porque o céu que há em ti
Espontaneamente o resgatou
Noite acabada
Sol a brilhar
Já passou a madrugada
Que foi feita para amar
Tudo o resto vale nada
Para quem está a percorrer
Os trilhos de um guião
Que já está a acontecer
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Domingo, 5 de Outubro de 2008
DESNORTE
Quão forte é o brado que guardas no peito?
Da dimensão de uma montanha?
Imenso como o mar? Não
Livre como o vento. Assim ele nasceu
O peso de um segredo
Que não podes revelar
Está sempre presente
Em cada esquina, em cada olhar
Tentas detê-lo. Tens medo do escuro
Dás um passo em frente e ergues-lhe um muro
Deitas-lhe as rédeas que o prendem à vida
Num último esforço de quem o liquida
Sentes algo diferente
Que não sabes o que é
É uma força nova
Que lentamente põe-se de pé
Cresceu dentro de ti
Com o desejo de se soltar
Para combater os que se opunham
À coragem de desejar
Com um ar desamparado
Vagueias pela cidade
Vão-se fechando as portas
Tudo parece uma fatalidade
Não encontras o caminho de casa
Não encontras o rumo a seguir
Sentes-te à toa nesta cidade
Sentes que o mundo te está a fugir
Vives de cabeçadas
Dadas sem querer
Não queres ouvir conselhos
Que ao fim ao cabo não dão para entender
Era mais forte que todos os muros
Que todas as prisões, que todos os tribunais
Subaproveitaste o solo onde nasceu
Dentro do teu peito aos poucos morreu
E não renasce jamais
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
À DERIVA
Recuso-me a ir
De fracasso em fracasso
Até à derrota final
Porque até essa
Hei-de a transformar
Numa vitória triunfal
Ou pelo menos
Quanto mais não seja
Numa piada banal
Porque o meu projecto não é este
Não é assim que me quero dar
Nesta inércia permanente
Nesta angústia incessante
Eu ando à deriva
Custa-me admitir
Mas é mesmo assim
Segura-me bem
Fica por perto
Até isto ter um fim
Os meus ideais
Hão-de aparecer
E puxar por mim
Por onde será
O caminho que irei trilhar?
Um dia haverei de saber
Esse dia há-de chegar
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
LADO ORIENTAL
Escolhi o lado oriental
Para reflectir sobre o que fiz mal
Para encontrar consolação
Ali junto ao paredão
De manhã cedo junto ao rio
Vou preenchendo o vazio
De mais um dia em turbilhão
Que desgasta o coração
De frente para o rio
Tudo parece diferente
Até eu fico mais pequeno
Dou por mim bem mais sereno
Tentando perceber…
…que ciência é esta afinal
Que nos suga toda a esperança
Que nos derrota a confiança
Em Lisboa oriental
E não nos deixa escolher…
…perceber…adormecer…esquecer…e não nos deixa viver
De uma ou de outra forma
Talvez um dia entenda esta norma
Que da vida faz negação
Em contraponto à frustração
Quem sabe um dia encontre a paz
Nem que seja num minuto fugaz
E descubra a ilusão
De já não estar junto ao paredão
De frente para o rio
Tudo parece diferente
Até eu fico mais pequeno
Dou por mim bem mais sereno
Tentando perceber…
…que ciência é esta afinal
Que nos suga toda a esperança
Que nos derrota a confiança
Em Lisboa oriental
E não nos deixa escolher…
…perceber…adormecer…esquecer…e não nos deixa viver
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AQUI NOS DIAS QUE CORREM (DEPRESSÃO)
Aqui nos dias que correm
Além da vertigem que a todos cega
As mágoas diversas corroem
A alegria que se lhes nega
Núcleos suspeitos vão tecendo
Malhas para tudo abarcar
O prazer de criar vai morrendo
Forçando a natureza a mudar
Em conflito permanente
Numa ameaça constante
Rasga-me a pele de repente
O teu gume lancinante
Num covil perdido
Bem dentro de nós
Quero ficar escondido
Breves instantes a sós
Descendo ao Inferno dos sentimentos
Ausentes num lugar sem fundo
Ultrapassando todos os lamentos
Fingindo não ser deles este mundo
Dizem que há quem se deprima
Para continuar a crescer
Eu vi alguém matar a rotina
Para só então renascer
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
DESALENTO
O tempo pouco me diz
Se ontem era escasso, hoje é de sobra
Deixou de ser há muito de ser
O vilão da minha obra
Se alguém me diz “vem”
Perco a deixa inacabada
Sopro vento ao fogo
E troco as voltas ao que não fiz
Muda o cenário
Muda a plateia
Muda o texto
Mas o actor vagueia
Onde terei perdido
O rumo da caminhada
Talvez o tenha esquecido
Por entre caminhos feitos de nada
Agora só peço que me dês
Um pouco mais da tua atenção
Que tenhas paciência para escutar
Os versos finais desta canção
A vida passa por mim
Sem que eu seja o protagonista
Às vezes quem dera ter
O mérito de alguma conquista
A vida passa por mim
E toca-me de raspão
Mas o meu caminho segue
Por qualquer outra direcção
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DELÍRIOS DA DOR
Fecho-me num quarto
Escuro e vazio
Em redor de mil e um assombros
Que me deixam tonto
Exausto
Abatido
Se alguém chegar à porta
Há-de encontrar
Resquícios de mim
Ah…
Sinto-me a flutuar
Ajudem-me!
Deixem o escárnio para trás...
A premonição
Corrói-me o olhar
E a saudade
Destrói-me a alma…
Ah…
Deixem-me chorar
Ah…
E completar o vazio
"Nós morremos repletos de uma vida vazia
O que podemos fazer?
Esperar. Esperar até encher"
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ÚLTIMA PALAVRA
Estava sentado
Pensativo
Pela tristeza quebrado
Pelas dúvidas reflexivo
Os últimos dias
Perversos
Aumentaram o desejo
De tudo destruir
Porque naquele prédio
Podre
Desumano e injusto
Sua vida se afundou
Ao ponto de usar
A arma
Esquecida no seu quarto
Quando alguém o deixou
A última palavra
Tem de ser a sua
Escancarou a porta
Resoluto
Num instante tudo mudou
Tudo quieto ficou
Arrefece no buraco
Seu corpo
Deitado há um bocado
Por quem o julgava morto
A última palavra
Não foi a sua
A última palavra
Foi amarga e crua
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Domingo, 28 de Setembro de 2008
MORTE
Anda a Morte a vaguear
Pelas vielas da cidade
Entra nos canos de esgoto
E maldiz a sociedade
Tem o capuz enfiado
E a face com verrugas
Na mão leva a foice
Que dá para fazer torturas
Penosamente vai andando
Com passos entorpecidos
Chega imprevisivelmente
Na caixa dos comprimidos
Pela calçada vai descendo
Com os olhos a brilhar
Brilho que só ela tem
Brilho que te há de matar
Morro de pavor
De um dia te encontrar
Diz-me quanto queres
E deixa-me cá ficar
Fuma o cachimbo da sorte
Se a queres confundir
Mas mais tarde ou mais cedo
Com ela hás-de partir
Aqui jaz sua vontade
Sangue e choro, sarcasmo e dor
Ela é pura realidade
Neste filme de terror
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RETORNO À INOCÊNCIA
O Fumo
Não deixa respirar
Na frente
Desta luta por cessar
A Fábrica
Dos sonhos de infância
Cheia,
Vazia, em alternância
Ao longo
Do dia cinzento
Pelo Fumo
Por mais um lamento
Na crua
Realidade que temos
Asfixia
A consciência, a menos
Que agora,
A Abstracção se edifique,
Um Sinal
Que a todos identifique
O Fim,
Da idade adulta,
Oculta,
Nesta treva a sucumbir
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
TEMPOS MODERNOS (ou POEMA DO REVIRALHO)
A crise afronta-nos a todos
No corpo
Nos sonhos
Na alma
No futuro
Tudo o que nos cerca
É árido
Seco
Desértico
Vazio
As nossas relações
Humanas
Profissionais
Fraternas
Físicas
Condoem-se ciclicamente
Do fracasso
À exaustão
Do desamparo
À solidão
A esperança não se arredará
Resistir
Forçar
Perseguir
Alcançar
Porque o lado positivo
Só nós o vemos
Somos nós que o erguemos
Num colapso final
Arrebatador, triunfal
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008
AUTÓMATOS
Alinhados
Sob as ordens, em vão
Seguem os autómatos
Por obrigação
A virtude
Do sentir e do pensar
Templo condenado
É quimera a ignorar
A demanda
Imposta, intencional
Aniquila
Opressiva, maquinal
O circuito
Programado para massacrar
É o reduto
Que urge conservar
No limite
Toda a existência
Vive espartilhada
Na subserviência
Até ao dia
Em que se instale a desordem
E a máquina
Se afirme como Homem
O processo
De auto-conhecimento
Bastará
Para criar o momento
Livres
Criadores da sua vontade
Adidos
Da plena Liberdade
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
INTERRUPÇÃO INVOLUNTÁRIA DO SONHO

De um homem nasce um sonho
Que cresce pela vida fora
Vai correndo, tropeçando, retomando
Os limites das barreiras
Das barreiras da vontade
O Sonho tem os braços
Enleados na verdade
Quantas vezes um homem sonha
Quantas vezes o acordam
Para matar e sepultar
O sonho inacabado
Qual feto mutilado
O Sonho tem os pés
No desejo condenado
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008
RECUSA
Sem remorsos, indiferentes
Abnegados ao nascer
Os tiranos repetentes
Escolhem não escolher
Subjugados pela matéria
Escravizados pelo dever
Faz coágulos na artéria
O sangue que devia correr
A recusa é também
Um sinal de afirmação
Um momento de coragem
A nossa emancipação
Exigências fraudulentas
Dão vontade de boicotar
Políticas lamacentas
Que teimam em vingar
Quanto vale uma vida
Que se gasta a tolerar?
Para que serve invertida?
De que vale não falar?
A recusa é também
Um sinal de afirmação
Um momento de coragem
A nossa emancipação
A recusa é também
Um sinal de afirmação
Um momento de coragem
Eis o cerne da questão
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Domingo, 14 de Setembro de 2008
UTOPIA DA CIDADE POSSÍVEL
Eu acredito numa utopia
Onde toda a classe política
É honesta e competente
Responsável e empenhada
Eu acredito também noutra utopia
Onde todos nós perseguimos o bem comum
Derrotamos o egoísmo
E regeneramos da dor
Depois não deixo de pensar na outra
Onde o que tem valor
É mesmo valorizado
O esforço também é recompensado
E a vida está acima de tudo
Vendo bem ainda há aquela
Que fala de uma sociedade
Longe de luxos e privilégios
Pagos com as privações de todos nós
Para gáudio de quem menos os merece
Eu acredito nesta utopia
Que vive na minha cabeça
Mas tem força suficiente
Para que um dia…algo aconteça
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
PESTE SUINA
Eles vestem gravata
Levam a pasta na mão
Nunca fazem nada
E nós não vemos nem um tostão
Por onde eles passam
Deixam pegadas no chão
Ninguém os apanha
Desviam mais um milhão
Há porcos a mais
A dormir neste curral
O ar que respiro
Enjoa e cheira mal
Promessas há muitas
Todas da boca para fora
Eles estão-se nas tintas
E isto nunca mais melhora
Nós damos o voto
A realidade é amarga
E a recompensa
É sermos burros de carga
Não comem bolotas
Querem carro e lazer
Mas nós vamos pagando
Mesmo quando ninguém quer
Que sorte malvada
Nós havíamos de ter
Uma vara de porcos
Que nada sabe fazer
Arrasemos os porcos
Para fora do curral
Vão guinchar para outro lado
Isto é um ponto final
A matança do porco
Será feita à maneira
E as suas vísceras
Serão axas para a fogueira
Aquilo que mais quero
Por muito que me possam tentar
É passar despercebido e tranquilo
Para num deles não me tornar
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008
MIRAGEM DO AGRADECIMENTO

À beira de um rio de águas calmas
Todo o meu corpo estremece
Minha alma une-se à tua
Numa tarde que arrefece
Os meus olhos que tanto brilham
Fazem amor com os teus
Buscam o infinito, a eternidade,
E encontram Deus
Querem-lhe agradecer
Querem-lhe retribuir
Por tudo o que agora vêem
Por tudo o que há-de vir
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
O PRÓLOGO DO AMOR

Numa noite de sono solto
Sonhei que o meu corpo voava
Pairava por sobre as nuvens
Ao sabor do vento que embalava
Tinha a imensidão diante do rosto
E a liberdade que do peito se solta
Tudo me parece enfim tão diferente
Nesta viagem que não tem mais volta
Até que bem lá no alto
Vislumbrei ao longe um castelo
Estava suspenso no nevoeiro
Que envolve tudo o que é belo
Bati à porta sem ter medo
Nesse instante alguém a abriu
Disseram-me: “Voa o mais que puderes
Até encontrares o amor que partiu”
“O quê, não é aqui que ele vive?
Vim de tão longe só para o ver”
“Não prolongues mais esta espera
Ainda vais a tempo de o conhecer”
Com as palavras que o destino me disse
Voltei novamente a voar
Agora ainda era mais forte
O desejo que tinha de te alcançar
Encontrei-te à beira de um rio
Onde estavas a consolar a tristeza
Junto a ti perguntei-te
“Queres ser a minha Princesa?”
E do que depois se passou
Mais ninguém tem memória
Porque, meu amor, só depende de nós
O possível rumo desta história
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Domingo, 24 de Agosto de 2008
AO TEU LADO
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
CAPELA
Singela
Onde o silêncio
Envolve o reencontro
Das vozes
Das almas
Daqueles corações
Outrora reunidos
É neste frio
Em que me vejo envelhecer
Por entre o lamento
Que é a vida a suceder
As paredes
Despidas
São as testemunhas
Deste momento
Em que nós
Apartados
Pelo destino separados
Retornamos ao abrigo
Onde a minha prece
Repetida à exaustão
Longe de ti
A implorar consolação
Ao fim
Do tempo
Da espera que foi
Cicatriz no coração
Teu olhar
Ilumina
A penumbra deste lugar
Minh’ alma por fim serena
A tua presença
Neste altar
Limpa de qualquer sentença
Ansiando recomeçar
Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
SABES ONDE ME ENCONTRAR
Vamos sair os dois
Abandonar o abrigo
Esquecer o depois
Se somos imperfeitos
Isso agora não interessa
Cada qual com seus defeitos
Ilumina esta peça
Até ao fim
Sei o que esperar de mim
Aquilo que sempre quis
Foi apenas ser feliz
Se tu estás perto
Caminhando a céu aberto
Não tenhas medo de errar
Sabes onde me encontrar
A própria vida
Quer-nos ensinar
Que depois da recaída
Vale a pena recomeçar
Para o teu próprio bem
Depõe as expectativas
Sou apenas mais um homem
Entre a paz e as ogivas
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Domingo, 17 de Agosto de 2008
SONHO
No rolar de uma onda
Para sempre
Ficará o sabor de um passado
Em tons de azul e de rosa
Que não tem espinhos para magoar
Num jardim separado de tudo quanto existe
Será de alguém?
Será só meu?
O que te vai lá dentro
No fundo da alma
Sonho acordado
Sem saber onde estou
Quem me dera estar
Nos teus braços ofuscado pela luz
Que emanas desses olhos cor de mel
Que se encontram com os meus
Ouvindo esta canção que não acaba para nós
É de alguém
Pode ser teu
Aquele pássaro sem asas
Saudoso de um momento junto de ti
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
DESEJO
E o Sol se desvanecer
É em ti que eu vou pensar
Para andar e não me perder
Quando a chuva me encharcar
E eu nela me diluir
Contrapondo o desejar
À cedência de desistir
Dá-me luz
No meu pensar
Ilumina-me o caminho
Eu quero continuar
Mas não consigo sozinho
Lado a lado caminharemos
Nada nos vai separar
Nem o Destino, nem o Medo
Nem a Morte o há-de tentar.
E quando nós alcançarmos
O fim da estrada, o cansaço
E um para o outro olharmos
Incapazes de dar mais um passo
Nessa altura eu gritarei
Que a Vida perderia o sentido
Não fosse o teu Amor
Um dia me ter socorrido
Se um dia me perder
E para traz não souber voltar
Chamar-te-ei até morrer
Para me vires resgatar
Quando já nada fizer sentido
E a Vida me enganar
P’ra perto de ti eu vou correr
E ao teu lado ficar
Eu vou ficar…
A ILHA
Não há momento maior
Algures numa ilha perdida
Perco-me eu nesta dor
A alegria ficou
Apartada do meu ser
Minha luz se findou
Como o sol ao anoitecer
Quis por tudo o que havia
Não me deixar arrastar
O desespero que sentia
Não me deixava continuar
A esperança que tenho
Em regressar ao que sou
É de um imenso tamanho
E a sua hora chegou
Agora vou serenar, enfim
Tudo quanto doeu
Porque a verdade em mim
Quem a conhece sou eu
ANOITECER
Esta que me invade a alma
Ao longe os montes
Os pinhais
Chamam a si a noite calma
Que vem por fim adormecer
A natureza composta está
Agora que tudo o resto abrandou
O choro firme
As lágrimas
Tudo em mim estancou
A dor já não mora cá
Amanhã irei renascer
Oh, sim, estarei de novo pronto
Alerta como sempre
Desperto
A esperança basta-me por enquanto
Até que regresses ao anoitecer
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LABRINTOS DA MEMÓRIA

Dos nossos olhares que se cruzam
Numa noite escura e fria
Corroídos por uma vida já vazia
Repousa o meu corpo
Entregue ao passado que se esfuma
Dois mundos que se uniram
E agora separados esmorecem
Fazem do passado uma terra distante
Onde distante é o eco de uma voz
Ouve-se um grito
E não restam mais memórias
E agora o que se vê
É a imagem do que não se tem
É a sobra de dois corpos
Estendidos na terra de ninguém
Duas almas que percorrem
O caminho que alguém lhes desenhou
Aos tombos vão avançando
Para um sonho que ninguém sonhou
As folhas secas são como os sonhos
De nada servem se alguém as pisar
Eu olho para as memórias
E escuto as folhas secas
Que davam cor ao meu sonhar
Cai dor no fundo do mar
Morre sem ninguém saber
Eu já não consigo sequer pensar
Agir, ou tão somente falar
De que serve ter o mundo
Se não tenho cor para lhe dar?
Quero fugir daqui
Voltar para a terra que abandonei
Voltar a ser quem nunca fui
Voltar a não ser ninguém
Espero por um sinal teu
Se alguma vez te voltar a encontrar
É disto que a vida é feita
Memórias atrás de memórias
Lembranças atrás de esperanças
E medos diante daquilo que é novo
Fujo do cerco que construí
O meu nome não há de constar da história
Digam que me perdi
Nos labirintos da tua memória
E ando perdido querendo me encontrar
E escuto os teus passos onde tu não estás
Eu sinto os teus passos onde tu não estás
Por entre as ruínas vou cedendo sempre
Agora já pouco resta, mas não me desprendo
SÓ SEI… (DESENCANTO)
Só sei que quero acabar
De vez com o meu triste cantar
E ser olvidado
Para sempre esquecido
Em cinzas tornado
E ao vento oferecido
Só sei que quero morrer
A minha vida é um balão a encher
Que um dia irá terminar
Com um súbito rebentar
Só sei que quero amar
Alguém interessado em mostrar
Que o amor e a mentira
Não podem jogar
A par um com o outro
No mesmo olhar
Só sei que quero sentir
A chama a arder antes de partir
Que o comboio pare na minha estação
E carregue sozinho a desilusão
Só sei que irei vaguear
À deriva num mundo que vai abortar
Talvez chorem e gritem
O meu terminar
Talvez cuspam o fígado
Sem soluçar
Só sei que não vou conter
O último sarcasmo antes de morrer
Reprimam o pranto quando eu partir
Que eu nem sei sequer se cheguei a existir
SONETO IMPERFEITO DO CONHECIMENTO, DO AMOR, DA BUSCA, DA ENTREGA, DA ESPERA E DA SOLIDÃO
Desta encruzilhada do viver
Ao teu destino não deves fugir
Não te negues o direito de aprender
Quando a altura certa chegar
Desgostos e certezas hás-de ter
Tudo voltará um dia ao seu lugar
Tal como o Sol ao amanhecer
(… e tu deste por ti a amadurecer…)
Na vida há sempre um momento
Que não nos pode ser negado
Para que possamos ser livres
O Amor diante de cada tormento
Por nada foi abalado
Nem o será quando partires
(…nada te nego nesta minha Missão…)
Preâmbulo
A compilação ainda não está fechada, mas deverá rondar as quatro dezenas dezenas de poemas. A apresentação será feita do seguinte modo:
1) Para já, e como é o começo, vou publicar de imediato 5 poemas, com as respectivas fotografias manipuladas digitalmente que lhes servem de ilustração;
2) Depois disso, e uma vez por semana, será introduzida uma nova foto, com o título, mas sem o poema. Na semana seguinte surgirá então o tal poema, e uma nova foto para outros versos.
Não me considero um artista, e por isso mesmo, não tenho a veleidade de me considerar um poeta. Sou somente uma pessoa vulgar que ocupa algumas horas da sua existência a reflectir e a escrever sobre aquilo que sente, que ouve, que vê. Alguns destes versos são absolutamente autobiográficos, outros tiveram na sua génese um qualquer episódio pessoal, muitos outros são pura ficção – daquela inspirada por aquilo que vemos acontecer aos outros – e também há daqueles que não passam de retratos situacionais sobre determinada conjuntura contemporânea que de alguma forma assimilei e processei. Em suma, quase tudo serve de inspiração à escrita. É uma questão de deixar o pensamento fluir livre e sem preconceitos. Não pretendo moralizar, fazer política, ou influenciar. Deixei apenas que a caneta de tinta permanente desse forma escrita a uma emoção que clamava para saltar cá para fora. O público-alvo desta escrita não o sei identificar. Poderão ser todas as pessoas que gostem de ler poesia despretensiosa, simples, muitas vezes imperfeita, tantas outras inocente e pueril. A erudição não tem lugar nesta página.
Apraz-me sobremaneira poder partilhar agora estes escritos. As fotografias que escolhi foram tiradas por mim (excepto quando assinalado) em diversas ocasiões, e de forma não intencional, mas acabaram por ter alguma relação, ainda que tangencial, com os poemas. Daí que, e mais uma vez de uma forma muito pessoal, considerei que eram um complemento gráfico do principal que são as palavras. As fotografias, com raríssimas excepções, captaram momentos ou lugares públicos, generalistas, e por isso mesmo entendo-as como uma forma de evidenciar que nada está confinado exclusivamente ao meu universo pessoal. Para quem lê estes versos, a interpretação será sempre livre e é possível que haja identificação por parte do leitor com um outro episódio. Eles são universais e transversais. Chamemos-lhes vivências mundanas ou retratos humanos, e tudo ficará claro.
A todos quantos visitarem este blogue, sejam bem-vindos e sintam-se em casa. O imenso desconhecido está prestes a ser revelado.
Fiquem bem!
Hélder
© Letras do Imenso Desconhecido
